Extremos, porque os extremos? Extremistas, extremismos? Luisa, menina bem educada, católica apostólica romana não praticante, mas ia à missa aos domingos duas vezes por mês. Boa aluna, tinha aprendido a frigidez necessária para uma fêmea humana ser "reconhecida" como mulher digna.
Mas Luisa tinha algo mais, uma curiosidade ambiciosa. Perspicácia para perceber que algo não estava bem, que a desigualdade é um desequilíbrio. Conheceu Beauvoir e soube que era um caminho sem volta, e também ela já não queria voltar.
Percebeu o egoísmo ao qual as mulheres eram subjugadas para mostrar o seu valor. Era necessário desprezar o homem que ela queria, era preciso levá-lo a loucura da espera, era preciso ser diplomada em sadismo para ser vista como uma desejada fêmea-mulher.
Luisa se rebelou, resolveu assumir-se, ser um mulher consciente da sua condição de fêmea. Elevou-se ao próximo nível. O homem que ela desejasse seria amado, teria um pedaço dela, os seus sorrisos, uma parte dos seus sonhos.
Mas Luisa era ela, o nome dela era ela mesma. Luisa era sua dona, consciente, verdadeira.
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